Memórias do Pai Arraia - um sonho pernambucano, um legado brasileiro

Carnaval 2016

Samba Enredo



Autores: Martinho da Vila, André Diniz, Mart’nália, Arlindo Cruz e Leonel

Intérprete: Igor Sorriso

Meus olhos ficavam rasos d’água
a seca minha alma castigava
o sol queimava e rachava o chão
até os carcarás sofriam no sertão
cresci, sonhando renovar os sonhos
revitalizar a vida
que se equilibra sobre palafita
dar pra gente tão sofrida

Dignidade e amor

Acordei o campo pra haver justiça
com o futuro santo, fé nos ideais
despertei o povo para um novo dia
brotou esperança nos canaviais

Com ternura me chamavam Pai Arraia
onde os arrecifes desenham a praia
um sentimento no coração, no pensamento, soluções reais
liberdade se conquista com educação
juntei os artistas e intelectuais

Pra fazer a cartilha no cordel
ensinar, abraçar a profissão
buscando na arte a inspiração


Tão bom cantarolar, me emocionar, estar aqui
pra ver na avenida, meu valor na mensageira Vila
gente aguerrida que defende a tradição do seu lugar
um movimento de cultura popular

Vem dançar o frevo e a ciranda
silenciar jamais!!!
tem maracatu na batucada
e o galo da madrugada misturando carnavais

Sinopse do Enredo

Lembro, quando menino
de ver o flagelo na minha terra natal.
A miséria batia à minha porta:
um povo sofrido me estendia as mãos como pedinte
Eram filhos da seca vindos dos áridos sertões,
que deixaram pelo caminho suas esperanças.

Anos se passaram e, já nos braços do povo,
fui conduzido a assumir a responsabilidade
de dar a ele voz e dignidade.
Na periferia de Recife, paisagens desoladas.
A pobreza mora na lama, nos mangues,
se equilibrando em palafitas.

No meu tempo, agi como um juiz,
numa questão em meio aos canaviais.
Para inverter as injustiças,
promovi o "Acordo do campo",
numa época em que era preciso "Reformar".
Por tais ações, tive daquela gente
comovente gratidão.
Buscavam em mim, mais que um amigo,
mais que um irmão,
e deram-me a alcunha de "Pai Arraia",
como gesto de candura e devoção.

Lembro dos ensinamentos de Paulo Freira
e da fé de D. Helder Câmara.
Com o apoio de queridos amigos,
educadores, artistas e intelectuais
surgiu um grande "Movimento", o MCP,
para despertar as massas,
que pela educação iriam se libertar

Valorizando a cultura e mantendo as tradições,
todas as artes se apresentaram nas praças,
congraçando as classes.

Hoje seus cantos e danças "fervem"
e tomarão a Passarela do Samba,
com batuques soltos e sonoros,
com maracatus de baques soltos e virados,
nesta festa popular.

Mesmo não estando entre vós,
deixo minhas lembranças e o meu legado,
no ano do meu centenário,
num carnaval de sonho, com a Vila a comemorar